
O aplicativo monProxima baseia-se em uma arquitetura conectada ao software Proxima, utilizado pelos mandantes judiciais na proteção de maiores. Essa ligação direta entre o back-office do profissional e a interface do maior protegido condiciona todo o funcionamento da ferramenta, incluindo suas limitações.
Sincronização bancária no monProxima: o que o fluxo técnico implica
A consulta das contas bancárias no monProxima não é um simples espelho. Os dados transitam dos estabelecimentos bancários para o software Proxima do mandante, e depois são redistribuídos para o espaço do maior protegido. Esse duplo relé introduz um desfasamento entre a operação real e sua exibição.
Observamos que esse atraso varia de acordo com o banco parceiro e a frequência de sincronização configurada pelo mandante. O saldo exibido nem sempre reflete a posição bancária em tempo real. Para um maior protegido que gerencia despesas correntes com um orçamento apertado, essa latência pode gerar incompreensões.
O mandante que deseja acessar minha conta Proxima do lado profissional controla a granularidade das informações transmitidas. Ele pode escolher quais contas tornar visíveis e quais tipos de operações exibir. Essa configuração não é irrelevante: uma configuração muito restritiva priva o maior de uma visão útil, enquanto uma configuração muito aberta pode expor movimentos complexos (investimentos, seguro de vida) sem contexto explicativo.
Contas de gestão anuais e o papel do monProxima no controle jurídico

Os retornos de tutores familiares e de mandantes profissionais convergem: o monProxima tende a se tornar uma ferramenta esperada, até exigida por alguns serviços de controle para garantir a produção das contas de gestão anuais. A rastreabilidade digital que ele oferece simplifica a verificação dos fluxos financeiros pelo chefe de cartório ou pelo diretor de cartório.
O histórico das operações consultadas pelo maior protegido constitui uma pista de auditoria. O fato de a pessoa protegida ter podido visualizar seus movimentos bancários demonstra, pelo menos formalmente, uma forma de transparência na gestão. Esse ponto é relevante durante o controle das contas pela autoridade judicial.
Recomendamos manter os parâmetros de visibilidade ativados por um longo período, mesmo que o maior não consulte regularmente o aplicativo. Em caso de contestação posterior, a disponibilidade da informação no monProxima pode servir como elemento probatório.
Evolução do direito dos maiores protegidos em direção à autonomia de ação
Desde 2019, o direito dos maiores protegidos evolui estruturalmente para permitir que realizem por conta própria certos atos da vida cotidiana, em vez de delegar sistematicamente ao representante legal. A análise acadêmica de Jean-Marie Plazy confirma essa orientação.
O monProxima se insere nessa lógica jurídica de restituição progressiva de capacidade. A ferramenta não substitui a autorização do mandante para os atos de disposição, mas dá ao maior protegido uma visibilidade sobre sua situação financeira que antes era reservada apenas ao tutor ou curador.
Essa evolução tem consequências práticas na relação mandante-maior protegido:
- O maior que consulta suas contas faz perguntas mais precisas sobre as despesas, o que obriga o mandante a documentar mais suas decisões de gestão
- A transparência reduz as situações de desconfiança, frequentes quando o maior não tem visibilidade sobre a utilização de seus recursos
- O juiz das tutelas pode se apoiar no uso efetivo do monProxima para modular o nível de proteção (passagem de uma tutela para uma curatela reforçada, por exemplo)
Segurança dos dados pessoais na plataforma monProxima
A proteção de dados no monProxima merece atenção especial. As informações bancárias e patrimoniais de um maior protegido são dados sensíveis no sentido do RGPD. O software Proxima, como plataforma que abriga esses arquivos, deve garantir um nível de segurança adequado.
O acesso à conta do maior protegido passa por identificadores fornecidos pelo mandante. Esse ponto levanta uma questão raramente abordada: o maior protegido não escolhe ele mesmo sua senha inicial. O procedimento de criação da conta depende inteiramente do profissional, o que cria uma assimetria técnica.
Na prática, constatamos que alguns mandantes demoram a ativar o acesso ao monProxima para seus protegidos, seja por carga de trabalho, seja por desconhecimento da ferramenta. O maior protegido não tem, então, nenhum recurso para forçar a ativação, exceto solicitar ao juiz das tutelas.

Limites concretos do monProxima para os usuários protegidos
O monProxima permite consultar o saldo e as últimas operações. O aplicativo não permite realizar transferências, contestar uma operação ou comunicar-se diretamente com o banco. É uma ferramenta de leitura, não uma ferramenta de ação bancária.
Evoluções são anunciadas pelo editor Tutelle Au Quotidien, mas sem um cronograma preciso. As funcionalidades atuais permanecem limitadas à consulta.
Para um maior sob curatela simples, que teoricamente mantém a capacidade de gerenciar suas despesas correntes, essa limitação é frustrante. O aplicativo mostra o que acontece na conta sem dar controle. O desfasamento entre o objetivo declarado de autonomia e as funcionalidades reais da ferramenta merece ser sinalizado às famílias e aos profissionais.
- Consulta do saldo e das operações recentes: disponível
- Realização de transferências ou pagamentos: não disponível
- Comunicação integrada com o mandante: não disponível neste estágio
- Acesso aos documentos jurídicos do processo de proteção: não disponível no monProxima (reservado ao software Proxima do lado do mandante)
A ferramenta cumpre sua promessa de transparência financeira. Ela ainda não cumpre a de autonomia operacional. A distinção entre ver e agir continua sendo o principal obstáculo para os maiores protegidos que desejam retomar o controle de sua gestão cotidiana.